QUARESMA

Brasileiro aumenta consumo de bacalhau



22.03.2018 - 04:55

Segundo levantamento exclusivo realizado pela Banca do Ramon, um dos empórios mais tradicionais do Mercado Municipal de São Paulo, junto a 1.360 consumidores, o brasileiro aumenta consideravelmente o consumo de pescados após o Carnaval. A explicação pode ser religiosa, simplesmente pelo início da Quaresma, ou na busca de uma alimentação mais saudável – muitas pessoas têm substituído à carne vermelha por peixes. Cresce especialmente o consumo do bacalhau, popularizado após a chegada da corte portuguesa ao Brasil. O peixe é bastante consumido em datas especiais, como réveillon, Quaresma e, especialmente, a Páscoa, tornando o pescado um produto sazonal para a maioria das famílias.

A pesquisa “Do essencial ao Gourmet - O que os brasileiros pensam sobre alimentação saudável e produtos premium”, deixa evidente que, tratando-se de bacalhau, embora o peixe seja bastante apreciado pelos brasileiros – 50% afirma consumi-lo até três vezes ao ano, enquanto 39% o faz quatro ou mais vezes no mesmo período –, o prato ainda está restrito, em sua maioria, a datas específicas como a Páscoa e a Quaresma. A maioria dos entrevistados (51%) afirma que consome o peixe, geralmente, em ocasiões especiais. Por outro lado, 36,5% revela que o bacalhau está presente nas refeições do dia a dia. Quando questionados sobre a origem do melhor bacalhau, os campeões, de acordo com os entrevistados são: o bacalhau Norueguês (47,2%) e o Português (19,6%).

O Brasil ainda é a maior nação católica do mundo, com 172,2 milhões de fiéis, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por isso, o período de Quaresma, que começa na Quarta-feira de Cinzas, estimula até os menos apegados à doutrina a trocarem o bife por um peixe. Entre as tradições do período de 40 dias de preparação para a Páscoa, está a exclusão das carnes de animais de sangue quente – boi, porco e frango – durante as quartas e sextas-feiras. Mas nem todos os consumidores associam a compra à tradição religiosa, o aumento da oferta desses produtos no mercado também favorece a aquisição e incentiva o consumo, inclusive de espécies mais nobres, como o bacalhau, que é um prato bastante apreciado em datas especiais como essas, segundo o levantamento.

Bacalhau é o nome dado a cinco peixes (Gadus morhua, Gadus macrocephalus; Saithe ; Ling e Zarbo) após o processo de cura (salga e secagem). Quatro deles são do oceano Ártico (Noruega, Canadá, Rússia, Islândia e Finlândia) e o quinto é do Pacífico, ou Alasca.

O Gadus morhua, tradicionalmente conhecido como bacalhau do porto, é pescado em águas profundas do Atlântico Norte. De carne amarelada, quando seco torna-se mais branco e é a carne mais nobre devido a alimentação disponível em seu habitat. Já o Gadus macrocephalus é pescado no Pacífico Norte, é mais fibroso e suas lascas não se soltam facilmente. Sua cor é branca, mesmo quando seco e seu sabor é característico.

O Saithe possui cor mais escura e é considerado o primo mais barato. Sua carne desfia com facilidade quando cozido, enquanto o Ling, de cor branca, porém, com postas mais finas, que não desfiam facilmente, é ideal para receitas grelhadas, pois é mais firme e não se desfaz. Por último, o Zarbo é um dos menores e com postas mais finas, muito utilizadas na preparação de bolinhos e caldos.

Segundo a legislação apenas o Gadus morhua e o Gadus macrocephalus são considerados verdadeiros. No comercio eles ainda podem ser classificados nas seguintes categorias: Imperial, o mais nobre; Universal – com alguns defeitos pequenos que não comprometem a qualidade; e Popular – que contém falhas causadas no processo de pesca.