REÚSO

Água da sala de ordenha em Sergipe



17.01.2019 - 03:38

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Sergipe (Senar/SE) implantou um sistema de reúso de água em sete municípios. A medida permite reaproveitar a água usada na limpeza da sala de ordenha gerando economia de água e irrigação da palma. “Antes eu trabalhava com ordenha na mão e precisava de uma assistência técnica que melhorasse, então mudou 100%. Nossa produção era de 120 litros por dia com 20 animais e hoje tenho menos e produzo mais. Chego a produzir 400 litros de leite por dia. Ainda vem a questão da renda que aumentou significativamente”, afirma o produtor Wellisy Santos Ferreira.

O produtor foi beneficiado com a Unidade de Reserva Hídrica implantada pelo Senar/SE e conta com a assistência do Programa Sertão Empreendedor. Wellisy comenta que o manejo dos animais foi o que mais o marcou durante os dois anos de assistência. “O que veio fortalecer aqui foi o conhecimento de manejo que foi significativo e a questão da produção. Passamos a trabalhar com lotes. Antes não tínhamos isso. Trabalhávamos com o gado todo misturado. O pequeno comendo com o grande. Melhoramos bastante na produção de leite, genética, antes meu foco era genética porque eu achava que na estrutura financeira eu estava bem, mas estava tudo desorganizado. Pensei que meu foco não era genética, e sim gerenciamento”, afirma.

O sistema de reúso implantado pelo Senar/SE garantiu principalmente o alimento para o rebanho, um dos principais problemas nas épocas de estiagem. “O que melhorou para gente foi a garantia de produção de alimento. Temos a produção, mas é mínima e com o sistema de reuso temos a garantia de alimento. A nossa água era toda jogada fora, para nada. Já estava dando problema de casco nos animais porque a água ficava armazenada no curral. Criava podridão no casco e hoje não temos mais isso. Melhorou bastante”, afirma.

A supervisora da Assistência Técnica do Senar/SE, Camila Xavier, explica que a água sai repleta de nutrientes pronta para irrigar a palma. “Essa água quando sai da sala de ordenha vem com o esterco diluído nela. O esterco tem nitrogênio. A gente leva nitrogênio para a palma e a expectativa é que ela produza no mínimo o dobro em volume de peso que a gente produziria em um sistema sem irrigação. Uma produção violenta de alimentos dando suporte a produção leiteira. Vários produtores já conhecem o sistema e viram que é rentável. Nosso sistema de irrigação é uma difusão para vários produtores replicarem”.