MERCADO

Consumo de alimentos halal cresce 15% em todo o mundo



09.02.2010 - 10:04

Um mercado que cresce na velocidade em que aumentam os seguidores da doutrina religiosa, o fenômeno do crescimento do islamismo, visibilidade dos seus costumes, e poder aquisitivo dos seus fiéis, promete revolucionar mais uma vez o mercado de exportação brasileiro. Há décadas o Brasil vem abastecendo de proteína animal, mais especificamente de carne e frango, este mercado que exige produtos halal, lícitos ou permitidos, produzidos de acordo com as leis islâmicas. O salto substancial acontece com a abertura para exportação de alimentos industrializados como café, sucos, mel, água e demais subprodutos cárneos como salsichas, hambúrgueres e empanados.

Os números são animadores, o crescimento previsto é de 15% no mercado de produtos halal, e, só o setor de alimentos, movimenta em torno dos US$400 bilhões em todo mundo. Esta é só uma fatia no mercado global de produtos halal que está estimado em mais de  US$2 trilhões, entre alimentos industrializados, cereais e grãos in natura, cosméticos, produtos de uso pessoal e medicamentos de uso humano.  Outro fato que contribui para essa expansão de mercado e de horizontes para os exportadores é que 300 milhões de muçulmanos vivem em países onde o islamismo não é a religião majoritária. O Oriente Médio concentra apenas 20% da população islâmica mundial, a grande maioria de 60% está na Ásia.

O especialista em alimentos halal, Chaiboun Ibrahim Darwiche, do SIIL – Serviço de Inspeção Islâmica, empresa responsável pela habilitação de plantas industriais e empresas com foco no mercado halal chama a atenção para possibilidade de pequenos e médios exportadores entrarem neste mercado até então disputado por grande empresas. “A população islâmica hoje ultrapassa um bilhão e oitocentos milhões de consumidores em todo mundo e a demanda é por alimentos desde biscoitos e massas, passando por balas, chás, castanhas e uma infinidade de produtos. Há mercado para todos os alimentos que tiverem selo de halal”, explica Darwiche.

A demanda crescente nesse mercado é por alimentos certificados halal, onde o processo de industrialização, matéria prima e ingredientes estão de acordo com a Shariá, ou lei islâmica, conforme o Alcorão. Chaiboun complementa que “Hoje temos consumidores exigentes e atentos à qualidade, normas e regras. O produto halal deve atender estes mercados bem informados e com expectativas crescentes e para isso é necessária a garantia de processos e profissionais bem treinados e qualificados para executar todos os procedimentos necessários para a certificação dos produtos, desde a qualidade da matéria prima até a forma de estocagem deste alimento, assegurando sua qualidade e a segurança alimentar de acordo com a Jurisprudência Islâmica”.

Segundo reportagem recente da Agência EFE, um estudo realizado em 200 países pela Pew Center, grupo de estudiosos radicados em Washington, quase um quarto da população mundial é muçulmana, e a maior concentração está na Ásia, onde reside mais de 60%. Outros 20% estão no Oriente Médio e o restante distribuídos em todo o globo sendo que 15% deles, ou seja  240 milhões de seguidores do Islã estão na África, país populoso e com demanda crescente por alimentos.

Segundo Chaiboun Darwiche esta é a hora dos exportadores agregarem valor aos produtos exportados, seja para qual mercado for e abocanharem esta fatia de mercado que está ávida por alimentos halal certificados “Alguns dos benefícios da certificação Halal são oferecer diferencial na abertura de novos mercados; processos e resultados garantidos dentro das normas e regras Halal; maior consciência e possibilidade de rastreamento dos produtos e serviços, atendendo às exigências dos consumidores Halal em todo mundo; atrair novo investimentos com melhoria da reputação da marca e remoção de barreiras comerciais e o principal que é a satisfação do cliente ou parceiro importador”, finaliza. Mais informações sobre mercado e habilitação halal no site: www.islamichalal.com.br.